É tradição: dia da criança toda criança quer ganhar
presentes. De preferência brinquedos. Outro dia li um artigo que alertava os
pais: criança não precisa de brinquedos, precisa de brincadeiras. Ok, não é bem
assim... ganhar brinquedos é uma das partes mais deliciosas da infância. Mas a
reflexão é válida. Vejo alguns pais enchendo seus filhos com brinquedos caros.
Brinquedos que logo são esquecidos num canto, pois vão perdendo o interesse
para novos brinquedos. Parece que as crianças estão aprendendo a se cansar logo
das coisas. Que brinquedos são descartáveis. Pedro já ganhou muitos brinquedos,
desde que nasceu. A maioria deles foram presentes de familiares e amigos.
Sinceramente, não lembro de ter comprado muitos brinquedos pra ele. Alguns
mordedores, com os quais ainda brinca. E só.
Sei que é fácil falar isso agora, enquanto ele é pequeno e
ainda não sofre a influência dos amiguinhos e da interminável oferta de
brinquedos de todos os tipos, tamanhos e preços que aparecem na televisão. Mas pensamos que, na medida em que ele for
crescendo, precisamos mostrar também ao Pedro a alegria de brincadeiras
simples, como jogar bola, andar de bicicleta, correr no parque e brincar com um
cachorro. Ensinar que pra ser feliz não precisamos “ter”, “ter” e “ter mais um
pouco”. Que o gostoso é brincar, independente da quantidade de brinquedos.
Crianças não precisam de brinquedos, precisam de
brincadeiras. O quanto brincamos com nossos filhos? Gosto muito de brincar com
o Pedro. Tenho o privilégio de trabalhar em casa durante o dia, já que trabalho
com Educação à Distância. Meus horários são flexíveis e sempre que posso tiro
uns minutos do dia para brincar com o gringo. Mas também temos uma rotina de
brincadeiras. Ao acordar pela manhã, antes de “começar o dia” a gente brinca um
pouquinho na cama. E à noite, depois que chego da escola, depois de janta e
banho, é o nosso momento de brincar antes de dormir. E estas brincadeiras
geralmente são sem brinquedos. Mas nos divertimos muito. Rimos muito.
No o dia da criança Pedro ganhou uma motoca da vovó Rita e
do vovô Xisto. Nem precisa dizer o quanto ele adorou! Ainda não sabe pedalar,
mas curte ficar em cima do brinquedo.
Nós, pais do Pedro, compramos para ele um presente bem
simples e baratinho. Um conjunto de potes de tamanhos diferentes que se
encaixam uns dentro dos outros e podem ser empilhados. Custou 19 reais no
supermercado. Ele adora essas coisas.
Às vezes um presente simples e barato é
suficiente para alegrar uma criança. Não precisa nada muito caro. E o mais
importante de tudo é brincar com a criança. Seja com os brinquedos dela, seja
de cavalinho. Ah, nesse caso o cavalinho somos nós mesmos!
Porque crianças não precisam de (muitos ou caros)
brinquedos. Precisam de brincadeiras.
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